R. O. del Uruguay-Departamento de Rocha  

FLYSANDO NO MAR

 

          Definitivamente esta não fui eu quem inventou. Tá certo que posso e até mesmo já fui acusado de herege por intentar há alguns anos pescar de fly em pesque pague, usando como isca na ocasião ração para gatos colada no anzol. O tempo passou e continuamos desfrutando das maravilhas da pesca com fly ou de fly, opiniões para as quais não temos a concordância geral enquanto intentamos como outros companheiros do mundo inteiro a pesca com fly no mar.

         Seguramante a pesca com fly é a mais antiga modalidade de pesca com iscas artificiais, havendo relatos de pescarias anteriores ao nascimento de Cristo. Deixando de lado essas datas pois delas só temos parcas referências, no Brasil a atividade já era praticada por nossos irmãos indígenas na ocasião do descobrimento e que a ela davam o singelo ou irônico nome de Pindá-Siririca, conforme consta do “Aurélio”.

         Pindá-Siririca, do Tupi: 1 – Disfarce do anzol (Pin-dá) com penas de cores. 2 – Anzol com isca artificial e linha curta.

         Velharias à parte se me perdoam a irreverência, o fato é que a pesca com fly atravessou séculos, mantendo-se como a modalidade de pesca onde houve as maiores modificações ou modernizações no equipamento sem que se tenha perdido a premissa original da linha mais pesada que a isca, que inicialmente de imitações de insetos com ciclo de vida aquático, hoje apresentam as mais variadas formas imitando também pequenos animais aquáticos e terrestres, num universo superior a mais de 1000 iscas de modelos diferentes, sem falar nas diversas cores, que elevaria esse número assustadoramente, havendo verdadeiros artistas em atá-las, mas isso é outra história, se me perdoam os amigos Jadir, Marchione e Joanes, entre outros.

        A evolução das iscas foi acompanhada da mudança dos locais de pesca e conseqüentemente dos peixes, até a chegada ao mar, para desespero dos antigos puristas adeptos da pesca com mosca e só com mosca. Preferencialmente as secas (Dries), desprezando na minha opinião todas as possibilidades que outras iscas e locais apresentam, fato que não passou desapercebido aos fabricantes de material, que logo colocaram em suas linhas de produtos aqueles caracterizados como SALT WATER, envolvendo backing, linhas, varas e anzóis especiais, cujas vendas bem comprovam o sucesso desse tipo de pescaria.

         Pô Cravo! E a pescaria vocês devem estar se perguntando, doidos para perguntar a mim, que felizmente estou longe. Não quero aqui ditar regras e sim falar nas possibilidades desse tipo de pescaria, como agora comprovamos em dois dias maravilhosos.

         Acho que no nosso destino existem pescarias destinadas a serem um sucesso de público e de crítica se me permitem a analogia com alguns outros eventos. Esta, realizada na Ilhabela, teve como guia o Sr. Antonio Luiz Amaral, mais conhecido como Tuba.

        

           Epíteto reduzido de Tubarão e ao qual faz jus tamanha a facilidade com que se desloca com e sobre a Ballyhoo, e salvo melhor juízo, um dos melhores praticantes da pesca com fly na água salgada, fato que aproveitei e comprovei nesta pescaria onde a quantidade e a qualidade dos espécimes pescados em muito superaram as minhas melhores expectativas e aqueles que tiverem o prazer de pescar carapaus e xaréus saberão bem o que eu estou falando e eu ainda fui premiado com anchovas e olhos de boi.

 

Material:

Como de costume usei a vara Peacemaker nº 8 com carretilha Plus, também nº 8, ambas de fabricação Fleming. Quanto à linha, usei WF 8 I, Salt Water, da Cortland, com leader de 3 seções de linhas 0.60, 0.50 e 0.40mm, unidas entre si com Nó de Sangue e Tippet 0.33mm atado ao leader com loop perfeito, que em muito facilita a substituição do mesmo quando necessária uma troca ou reposição do comprimento original.

 

Leader:

0.60 mm..............  80 cm.

0.50 mm..............  60 cm.

0.40 mm..............  40 cm.

Tippet:

0.33 mm............... 30 cm.

 

Para facilitar a troca das iscas e aumentar a resistencia do leader à abrasão ou aos dentes mais afilados, substituo o Tippet 0.33mm pela colocação de um pequeno empate de aço flexível e o mais fino possível com un snap, diretamente na última seção.

 Iscas:

 Embora como tenho dito existam mais de mil tipos de iscas diferentes, sem falar nas diversas possibilidades de cores de cada uma, normalmente opto por Lefty Deceivers e Clouser Minnow, tipos de streamers reconhecidos mundialmente como “matadores” e aos quais eventualmente agrego Cazie Charlies, que carinhosa e ironicamente alcunho de “Cravo Loco”.

Da mistura Lefty Deceiver e Clouser Minnow, nasceu o Half and Half , também excelente isca, resultado de uma brincadeira dos seus criadores Lefty Kreh e Bob Clouser. Mas na verdade e em como tudo na vida, cada qual tem sua isca preferida e que certamente dão ou darão tão bons resultados quanto estas.

A Pescaria:

 Depois de bem dormida noite e lauto desjejum no Vilamar Hotel, da Jaqueline e do Claudio, que como sempre se esmeraram para que nada nos faltasse, aliás como é de praxe com todos os hóspedes, logo transformados em amigos, fomos encontrar o Tuba e logo “adentramos” a Ballyhoo como diria um narrador esportivo.

A Ballyhoo é seguramente uma das melhores embarcações para a prática da pesca esportiva em Ilhabela, seja usando bait ou até mesmo fly, como fizemos e depois de mais ou menos 40 minutos de navegação e sem mesmo sair das imediações da ilha começamos a pescaria onde carapaus, xaréus e até mesmo olhos de boi foram sendo capturados até ao final do dia, quando a pescaria foi coroada por uma bela anchova, se não pelo tamanho pela acirrada luta que me proporcionou e onde a fricção da carretilha Plus teve relevante importância pois manteve a linha sempre tensa em quaisquer ocasiões como convém nesse tipo de pescaria.

Depois disso que poderíamos taxar de “foi só alegria!”, nada mais nos restou senão retornar ao cotidiano pensando: “Logo Logo Nóis Vorta!”

cravo@toppesca.com.br

Texto y fotografías: A.C.Cravo                              E-Mail: acarloscravo@uol.com.br


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